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Crítica: ceo

Publicada por Biffy On 16:02

Artista: ceo
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Título: "White Magic"
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Ano: 2010
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Editora: Sincerely Yours
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Classificação:
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Se há algo que não se pode chamar a Eric Berglund é que é pessimista. Metade do grupo sueco The Tough Alliance, o jovem cantor decidiu criar este projecto a solo, ceo. Apesar das cores frias do seu país de origem, os Tough Alliance sempre demarcaram a sua pop pelo optimismo, embora por vezes houvessem pinceladas bem negras na suas letras. A música, por sua vez, é uma eufórica celebração musical e o primeiro álbum de ceo não anda longe dessa atitude positiva. Se pensarmos que a maior parte dos artistas nomeia os seus discos e músicas como Black Magic e afins, ceo deixa claro ao que vem com este White Magic.

Realmente, Berglund consegue aqui criar um feitiço sonoro que nos enreda e prende durante a cerca de meia hora que dura o disco. Curto, mas bom.Começa-se com os violinos e os gemidos (que se poderiam assemelhar ao choro de uma cria pela sua progenitora) de All Around, uma faixa que tem tanto de épica como de dramática, mas que nunca se afasta demasiado do desejo pela felicidade. Illuminata, por sua vez, cavalga no largo dorso da pop, cativando pela sua jovialidade, pela sua energia e pela sua alegria sincera. Esta poderia ser a banda sonora para as férias de qualquer grupo de jovens. É, claramente, um dos momentos mais dançáveis do disco, embora nunca deixe de ser exigente e emocional.

Love and Do What You Will soa tão leve e despretensiosa com o amor que é apregoado na letra do tema. Amar incondicionalmente, é isso que está em jogo nesta música que remete para uma relação forjada à beira mar, com palmas a acompanharem o ritmo e tudo. Depois chega White Magic, a title track, que se revela como a viga mestra do disco. Com parcas palavras, o tema inicia-se com sonoridades próximas do tribalismo psicadélico e entretanto surgem dedilhados de violas de sabor latino. Até que a melodia desponta inesperadamente por entre relinchos de cavalos e ondas a desmaiarem na areia. Com uma elegância desarmante, Berglund compõe a suprema ode ao verão. Maravilhosa!
Oh God, Oh Dear tem um começo estranho, que remete para canto gregoriano embriagado... Mas depressa os instrumentos de cordas tomam conta da faixa. Não seria uma faixa estranha num disco de Andrew Bird, mas ainda assim, Berglund consegue imprimir-lhe uma personalidade muito própria. Poderia ser um tango, mas também pode ser uma balada mais ousada. Em No Mercy tudo parece um pouco over-the-top. Quase consigo imaginar um bailado estilizado com samurais a voarem pelos ares enquanto desembaínham as suas katanas e se ferem em amorosos golpes limpos, ou não fosse esta uma música sobre as dores provocadas pelo amor.
Come With Me traz consigo um cheiro a belearic, apostando num ritmo vibrante e em jogos sonoros de reflexos cristalinos, bem como samples de vozes a entrecortarem os sintetizadores e os violinos. O disco termina com Den Blomstertid Nu Kommer, um tema onde ceo canta na sua língua original e que parece, de início uma música de igreja. Talvez seja intencional, mas isso não interessa nada quando o referido tema termina em tal melodia que é impossível não ficar rendido e arrepiado. Curiosamente, os violinos que fecham o disco são os mesmos que o iniciaram, numa espécie de ciclo interminável que convida a uma nova audição do disco, para descobrir mais detalhes, mais camadas de efeitos sonoros, mais magia.
Sem dúvida que Berglund é um dos grandes génios do catálogo da Sincerely Yours e este álbum prova-o. Esperam-se voos altos, mas por enquanto, apreciee-se este fabuloso disco.

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