Artista: Midnight Juggernauts
Título: "The Crystal Axis"
Ano: 2010
Editora: Siberia Records
Classificação:
Acho que tenho andado a evitar a crítica a este disco. Deliberadamente. Antes de mais, deixem-me contextualizar-vos: gostei muito de Dystopia, o primeiro disco dos Midnight Juggernauts. Mesmo muito. Havia algo que trancendente, de místico e de enérgico na sonoridade grandiosa, enquanto que a voz sussurrada do vocalista quase parecia estar a revelar-nos um ritual pertencente a uma sociedade secreta. Por tudo isso, esperava uma evolução desse som, mas nada me preparou para uma desilusão destas. The Crystal Axis, o segundo e novo disco do trio, é um místico aborrecimento enfadonho (lamento o pleonasmo e a redundância hiperbolizada).
Lançado em Maio (eu sei... ando mesmo atrasado com as minhas críticas...), Vital Signs até pareceu interessante. As texturas rock misturavam-se com algum psicadelismo. Foi o primeiro single e é a segunda faixa do disco - Induco é um intro ambiental e soturno - e mostrava uns Midnight Juggernauts menos electrónicos e mais maduros, o que até poderia não ser mau, desde que a coisa se mantivesse entusiasmante. Mas como li num site algures, este novo disco ainda mantém o tom cósmico, mas esta é a viagem de regresso da banda a casa.
Quem procurar o electro rugoso do primeiro disco, raramente o vai encontrar. Lifeblood Flow é um dos poucos momentos interessantes do disco, com sintetizadores vintage a criarem melodia numa faixa que roça o épico no refrão. This New Technology já havia sido lançado meses antes, com remixes de Emperor Machine e The Juan MacLean, mas o original é uma faixa indie com as guitarras a dominarem a estratosfera e camadas de efeitos psicadélicos a enfeitarem o tema. Lara versus The Savage Pack segue trâmites semelhantes, mas parece mais indicada para os palcos de estádios e multidões fervorosas, embora aqui pareça haver uma maior sensação festiva. Algo que parece comum a muitas das faixas são os fade-outs longos e sem vocais, uma aposta na atmosfera que até é bem-vinda.
A estranheza, contudo, não parece ter-se evadido do conceito do trio. Assim é com The Great Beyond e Cannibal Freeway onde os mistérios e os perigos do cosmos desconhecido parecem ganhar forma musical. Aqui a banda aproxima-se da sonoridade dançável do primeiro disco e isso é um ponto a favor, muito embora a electrónica dê, por vezes, lugar ao rock estilhaçado. Virago, por sua vez, é um tema desconjuntado e percussivo com nuances jazz e uma lamentável falta de interesse.
Em Winds of Fortune regressa o rock, mas com refrões mais orelhudos. Ainda assim, o electro está a milhas e por isso também a minha atenção. Dynasty poderia ser uma balada dos anos 70 ou um remake da faixa Dystopia do álbum anterior. Cheia de dramatismo (algo que é comum no som da banda), consegue criar alguma empatia. Depois de um interlúdio, Fade to Red termina o disco com pequenas pinceladas electrónicas no ritmo e nos synths.
Mesmo assim, o mal já está feito. Fico a aguardar por um terceiro disco que me faça voltar a acreditar nos Midnight Juggernauts. Não é que The Crystal Axis seja um mau disco, tenho a certeza que não é. Mas, pessoalmente, não era nada disto que eu estava à espera e as expectativas são sempre uma coisa lixada e o mais crítico dos críticos.








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