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Crítica: Kylie Minogue

Publicada por Biffy On 09:06

Artista: Kylie Minogue
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Título: "Aphrodite"
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Ano: 2010
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Editora: Parlophone
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Classificação:
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Sejamos honestos: Kylie é uma diva. Logo, este novo disco assenta que nem uma luva a esse estatuto, já que a grande maioria das faixas é pensada para incendiar as pistas de dança e nunca faz concessões ao ritmo. Aliás, a produção de Stuart Price já fazia prever que assim seria. Há aqui uma reinvenção da cantora que se afasta de algumas tonalidades mais R&B que tinha experimentado nos discos anteriores para regressar à pop que a viu despontar e à música de dança festiva e eufórica. Este Aphrodite até faria mais sentido antes de X, já que parece (e perdoem-me agora se pareço frio, mas não é essa a minha intenção) ser o disco próprio de alguém que vence uma batalha contra o cancro e aprende a apreciar a vida de uma forma totalmente nova, a festejar cada momento mundano como uma maravilha sem ímpar. Isso é muito positivo, mas aqui parece que a artista se esforça um pouco demais e todo o incentivo que nos faz ao longo do disco para celebrarmos e amarmos torna-se exigente e exagerado. Tirando esse pequeno pormenor, este é um disco enérgico e entusiasmante para os fãs da diva.
O single All the Lovers causou estragos. Inesperadamente, temos uma Kylie sedutora e doce a sussurrar-nos ao ouvido uma ode ao amor. O vídeo, com uma literal montanha de gente meio desnuda ajudou, claro. Mas a música vale por si e é um dos grandes hinos deste verão. Logo a seguir chega Get Outta My Way, um irrequieto momento pop que transpira Stuart Price por todos os poros, mas que funciona delicisamente bem. Aqui Kylie mostra um girl-power imenso e deixa claro que, nas relações, com ela é "sim ou sopas". Sem dúvida, um tema capaz de arrasar qualquer pista de dança.
Put Your Hands Up (If You Feel Love) é uma daquelas músicas em que ela apela pela nossa constante entrega ao amor. Mais uma vez, a energia da faixa opera maravilhas e esta é uma espécie de montanha-russa sónica que prazeirosamente percorremos. Closer é, talvez, a faixa ovni do disco, sem que isso signifique que é má. Pelo contrário, é uma pausa agradável na euforia desmedida do disco. Com uma espineta sintética em pano de fundo, o tema assume contornos algo grotescos, mas em bons!
Everything is Beautiful é outra ode à vida e tal, desta vez escrita por Tim Rice-Oxley, dos Keane. É das músicas que mais se aproxima de uma balada, mas apenas porque o ritmo abranda um pouco, embora os big beats a atirem para a prateleira da dance music. A title track, Aphrodite, é novamente um tema imbuido de uma enérgica dose de girl-power. Os versos "I'm your golden girl, I'm your Aphrodite" mostram uma deusa pop capaz de convencer qualquer mortal.
Os sintetizadores sensuais de Illusion mostram delicadeza e a harmonia do tema tornam-no num dos pontos altos do disco, ao mesmo tempo que os subtis elementos electro lhe conferem uma aura elegante. Já Better Than Today é um dos temas menos interessantes, com uma espécie de country-pop a não conseguir tão bons resultados. Em Too Much nota-se o dedinho de Calvin Harris na produção que em conjunto com a letra de Jake Shears (dos Scissor Sisters) volta a potenciar a euforia a níveis estratosféricos, embora aqui as coisas pendam mais para o lado electro dopado do que para o pop dançável.
Quando Cupid Boy entra em cena, a doçura na voz de Kylie torna-se perigosa para diabéticos, mas a bassline resgatada aos New Order pinta uma sonoridade inesperada, embora este seja também um destrutivo tema clubístico e a mais longa faixa do álbum (talvez seja culpa da presença de Sebastian Ingrosso na produção). Looking For an Angel começa de modo realmente angelical e o refrão orelhudo mostra que até a mais lamechas das frases, dita por Kylie, soa coerente. O disco termina com um tema electrónico e com breves alusões aos Daft Punk nos sintetizadores, Can't Beat the Feeling. É um tema menos agressivo que os anteriores, mas igualmente bom.
O único senão do disco é, por vezes, ser excessivo. Após se ouvir Aphrodite de uma assentada, está-se radiante, é certo, mas igualmente de rastos. E se as primeiras faixas se ouvem com a mesma naturalidade com que se respira, lá mais para o meio já necessitamos de fazer algum esforço para as diferenciar umas das outras. Ainda assim, este é um regresso triunfante da diva, que mostra que ao 11º disco tem ainda uma vitalidade fabulosa e que é capaz de nos encantar com um punhado de canções bem esgalhadas.

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