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Crítica: Chemical Brothers

Publicada por Biffy On 06:33

Artista: The Chemical Brothers

Título: "Further"

Ano: 2010

Editora: Parlophone

Classificação:



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Os Chemical Brothers são um marco da música electrónica e até mainstream. Mesmo quem não ouve muita música já deve ter ouvido falar neles ou de conhecer alguma música do duo. Sete álbums depois de Exit Planet Dust, a frescura nem sempre é uma constante, mas a emoção e o divertimento mantêm-se. Tom Rowlands e Ed Simons sabem como conduzir uma multidão ao rubro e os seus espectáculos ao vivo têm algo de brutal.
É típico haverem colaborações vocais nos seus álbums, mas com Further eles pareceram decididos a cortar com o passado (além de que este é o primeiro disco a ser editado fora da Virgin). Na verdade, apenas duas vozes soam neste disco: a do próprio Tom Rowlands e a de Stephanie Dosen. Até a concepção do disco é diferente, apostando mais numa espécie de suite contínua e menos nos singles capazes de encher uma pista de dança.
É exactamente a voz doce e cristalina de Stephanie que surge no intro em crescendo de Snow, uma faixa leve e experimental que marina durante cinco minutos até o tour de force chegar: Escape Velocity. Trata-se de um tema instrumental grandioso e expansivo que aposta tanto na ambiência como na cinética e é esse contraste tão bem doseado que o torna num impressionante momento de música para ouvir em casa ou num concerto do duo.
Em Another World há vagos indícios de chill-out e de um verão prestes a acabar. Só a furiosa distorção e as batidas profundas é que quebram a ilusão e a voz de Tom surge deliciosamente apática no meio da maquinaria. A energia típica dos Chems parece querer depontar em Dissolve, mas mesmo aí não há batidas clubísticas, mas sim um regresso à electrónica alternativa, ao breakbeat temperado dos primeiros discos. O psicadelismo tembém resolveu dar um ar de sua graça e esta faixa só tem a ganhar com isso; um clássico instantâneo.
O momento mais duro surge com Horse Power, onde o ritmo desacelera, mas a intensidade e a rugosidade crescem e parecem fazer lembrar um sucesso antigo do duo, Hey Girl, Hey Boy, mas ainda mais ditorcido.
A calmia regressa com Swoon, o primeiro single do álbum. Há melodia e espacialidade e aquilo que parece ser uma viagem caleidoscópica pela galáxia. K+B+D tem um ritmo bem mexido que faz lembrar alguns dos últimos remixes do dinamarquês Trentemöller. Infelizmente, é a faixa menos entusiasmante do conjunto, soando demasiado genérica para os Chemical Brothers. Wonders of the Deep encerra o álbum com todo o seu pulsar sinistro e ocasionais explosões de supernovas brilhantes e cibernéticas, culminando numa instrumentalização épica.
A vitória dos Chemical Brothers é terem contrariado as expectativas desencantadas. Todos esperavamos mais do mesmo, mas de uma forma pouco entusiasmada, uma espécie de "olha, cá estão eles a picar o ponto". Sem fugir demasiado ao seu universo, a dupla criou um trabalho que se ouve de forma escorreita e abre as portas para novas cabriolices musicais no futuro. Cá se fica a aguardar.

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